Fonte: Jornal “O Diário de São Paulo” - ELZA YURI HATTORI
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A quantidade de recalls no país, no entanto, é bem inferior a de países da Europa e dos Estados Unidos. Segundo Jailton de Jesus Silva, presidente da Associação Nacional de Consumidores e das Vítimas de Montadoras e Concessionárias (ANVEMCA), lá são realizados cerca de 230 recalls por ano contra quatro a cinco por ano no Brasil . Para ele, a questão não é comparar os números de vendas de veículos com os de recalls, mas verificar quantos recalls foram assumidos pela indústria até hoje. “Muito pouco diante da realidade”, responde Jailton de Jesus Silva.
Citando a agência americana de trânsito NHTSA, ele diz que só em fevereiro de 2002 foram comunicados, nos Estados Unidos, nove recalls, envolvendo mais de dois milhões de carros. Em 1997, nos EUA, foram divulgados 251 recalls. “São os americanos, então, os maiores fabricantes de carros defeituosos ou é o Brasil o recordista na ocultação dos mesmos?”
O presidente da ANVEMCA também chama a atenção para o fato de que os recalls deveriam considerar a frota em circulação — 33 milhões de veículos no país, segundo o Departamento Nacional de Trânsito, dos quais 13 milhões no Estado de São Paulo, segundo a Secretaria Estadual da Fazenda. “Acredito que 80% da frota está comprometida com algum defeito de fabricação e não passou por recall”, diz Silva. Ele salienta que a maioria das pessoas sequer tem noção do que seja um recall . “Por isso, mais importante do que fazer o recall é garantir 100% de atendimento”, alerta.
Para o Procon a grande concentração de recalls na indústria automobilística pode indicar deficiência no controle de qualidade e maior risco à segurança. “Nossa preocupação se acentua quando observamos mais de um recall para o mesmo veículo. E, no caso do carro, o prejuízo maior é com a segurança do proprietário e de terceiros, não é econômico”, diz a técnica Selma do Amaral.
Segundo o Procon, o índice de retorno aos recalls gira em torno de 50% e 70% e causa apreensão. “Muitas vezes não se consegue localizar o proprietário e a gente verifica que os baixos índices não geram preocupação no fabricante. Entendemos que é preciso mais empenho das empresas. Mas o consumidor também deve atender a convocação caso tome conhecimento”, avisa a técnica.